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Três poemas de Ana Luiza Rigueto



Para abrir a nossa gira, uma espécie de estreia, nossa colunista Ana Luiza Rigueto, que divide a seção de Literatura com Julia de Souza, traz três poemas seus que estão na plaquete "teatrinho".



Arquivo Pessoal




AS TRÊS VERGONHAS



1.


nasceu com muita vergonha

nasceu vermelha e era vergonha

já que tinha nascido

gritou

discretamente

não dava pra voltar outra hora

e não queria incomodar




2.


dentro do vulcão está o magma

rocha líquida de fogo

se você chegar até a borda

e olhar bem de perto a lava

pode te queimar o corpo

e você pode morrer

se der as costas pra lava




3.


dizer é tão exato como

a faca corta e o garfo espeta

então eu pego

esse aparato

parto

um coração, o meu

e digo a todo o público

o amor é isso, não passa nunca




Ana Luiza Rigueto é poeta, pesquisa, escreve e dá oficinas. Atualmente mestranda em Ciência da Literatura (UFRJ), pesquisa poesia contemporânea e integra o Núcleo Edição (Pacc/UFRJ). Publicou "Entrega em domicílio" (Urutau, 2019), o livro coletivo "Antígona morreu então preciso falar com você" (Urutau, 2021) e “teatrinho” (edição própria, 2022). Graduou-se em Comunicação Social (UFRJ) e se especializou em Literatura Brasileira (Uerj). Também colabora com o Jornal Rascunho.




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