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Quatro poemas de Bianca Garcia

Atualizado: 1 de mai. de 2023







stray


esse teu jogo

não sou capaz de zerar

você diz com o corpo

fica

e com o canto da boca diz

preciso de espaço

assim como a moda é cíclica

você diz que tem medo da mania

voltamos à estaca zero

de novo você diz e se você tacar um jarro da janela? meu amor confia em mim nada disso acontece por aqui de novo te dou minha palavra eu não tenho jarro a janela está sempre fechada por causa dos gatos * sagrada dividir uma trincheira não nos impede de instaurarmos uma guerra você bloqueia no front sua imagem-silhueta lembro tudo antes do caos antes da implosão de galápagos catávamos cogumelos na floresta armilária cor-de-mel e cantarelo brotavam em nossos pés até a chegada de uma dezena de mata-moscas

a trilha do rio soberbo secou seu riacho ainda acredito em jogarmos as armas no chão para construirmos vitrais numa cidade utópica num projeto éden de cores e formas imperfeitas cores e formas funcionais

* gold brazilian boogie disco funk toca no youtube da tv penso na ração de erro que comi em dobro o sofrimento se revela meu deus meu deus terrível e intocável sua camisa jogada no chão não a toquei desde que a deixou apenas meu nariz e olhos vestiram ali o teu cheiro

sentada agora no parapeito meu umbral meu purgatório espero tua volta daquela brecha da porta como quem espera o fim da estação mais quente do ano

* clairo e casio meus olhos: um par de lentes portáteis fotogramas do seu sorriso bocas e janelas abertas você dança 53 thieves às 3 da manhã na sala pés e cabeças no tapete

digo coisas que mariya takeuchi discorda: um amor de plástico dura entre 400 e 500 anos drummond tinha razão o amor bate mesmo na aorta condensamos então o relógio nos passos de clairo e casio enquanto jungle toca no metrô




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Bianca Monteiro Garcia é editora da Macabéa Edições, formada em Letras e especialista em Literatura Brasileira pela UERJ. É também revisora e professora. Coministrou a oficina "Literatura e loucura: Maura Lopes Cançado, Lima Barreto e Stella do Patrocínio", na Coart/UERJ, em 2022. Pesquisadora independente de poesia contemporânea escrita por mulheres, tem poemas publicados em revistas e plataformas digitais. breve ato de descascar laranjas (Macabéa; 7letras) é seu primeiro livro de poesia.

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